terça-feira, 29 de janeiro de 2008
segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
Começa a Haver Meia-Noite

Começa a haver meia-noite, e a haver sossego,
Por toda a parte das coisas sobrepostas,
Os andares vários da acumulação da vida...
Calaram o piano no terceiro andar...
Não oiço já passos no segundo andar...
No rés-do-chão o rádio está em silêncio...
Vai tudo dormir...
Fico sozinho com o universo inteiro.
Não quero ir à janela:
Se eu olhar, que de estrelas!
Que grandes silêncios maiores há no alto!
Que céu anticitadino!...
Antes, recluso,
Num desejo de não ser recluso,
Escuto ansiosamente os ruídos da rua...
Um automóvel — demasiado rápido! —
Os duplos passos em conversa falam-me...
O som de um portão que se fecha brusco dói-me...
Vai tudo dormir...
Só eu velo, sonolentamente escutando...
Esperando
Qualquer coisa antes que durma...
Qualquer coisa...
Álvaro de Campos
domingo, 27 de janeiro de 2008
sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
terça-feira, 22 de janeiro de 2008
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