segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Radiohead - Fog

Quinto - Nevoeiro



Nem rei nem lei, nem paz, nem guerra
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer -
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo o encerra.

Ninguem sabe que coisa quer.
Ninguem conhece que alma tem,
Nem o que é mal, nem o que é bem.

(Que ancia distante perto chora?)

Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...

É a Hora!

Valete, Fratres.

Fernando Pessoa, in "Mensagem"

domingo, 29 de novembro de 2009

I Cannot Give The Reasons

















I cannot give the reasons,
I only sing the tunes:
the sadness of the seasons
the madness of the moons.

I cannot be didactic
or lucid, but I can
be quite obscure and practic-
ally marzipan

In gorgery and gushness
and all that's squishified.
My voice has all the lushness
of what I can't abide

And yet it has a beauty
most proud and terrible
denied to those whose duty
is to be cerebral.

Among the antlered mountains
I make my viscous way
and watch the sepia mountains
throw up their lime-green spray.

Mervyn Peake

Um Mundo Catita - As Minhas Coisas Favoritas



Enfim...Chamem-me sentimental...
Deve ser da idade..

sábado, 28 de novembro de 2009

Hot Sun, Cool Fire


Hot sun, cool fire, tempered with sweet air,
Black shade, fair nurse, shadow my white hair.
Shine, sun; burn, fire; breathe, air, and ease me;
Black shade, fair nurse, shroud me and please me.
Shadow, my sweet nurse, keep me from burning;
Make not my glad cause cause of mourning.
Let not my beauty’s fire
Inflame unstaid desire,
Nor pierce any bright eye
That wandereth lightly.

George Peele

Serviço Público


"É na Fotografia Beleza, da Rua de Santa Teresa – a partir de 1918 dirigida por Moreira de Campos e, em 1935, tendo como único proprietário António Lopes Moreira – que a burguesia do Porto se revê, possuindo o estúdio uma elegante sala de espera, onde se exibiam retratos da melhor sociedade do Norte. De facto, a Fotografia Beleza deixou um conjunto de várias centenas de milhares documentos fotográficos - um dos maiores espólios que, até ao momento, se conhecem em Portugal, nos quais se incluem mais de 10 000 fotografias em chapas de vidro, de paisagens, nomeadamente paisagem urbana. As restantes espécies são retratos de pessoas do Norte, com relevância para o Porto e arredores.

Este espólio, provavelmente o mais importante fundo do século XX proveniente de uma casa fotográfica portuguesa, inclui ainda a documentação textual de suporte, muito particularmente, os livros de registo dos trabalhos efectuados e encomendados, em número de 375 (352 de pequeno formato, 8 de grande formato e 15 de imagens), os quais, pormenorizadamente registavam o nome e morada do cliente, número de identificação, o formato tipo e a data dos mesmos."

De toda a documentação a que o texto supra alude, interessam-me particularmente as fotos dos clientes da Foto-Beleza...

Ora cliquem lá na página-web do Espólio Fotográfico Português, e inscrevam no motor de busca o nome de algum parente - ou o vosso...

Já encontrei as fotos do meu Avô e Tio-Avô paternos.

Boa sorte!

http://www.espoliofotograficoportugues.pt/

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Yes - Owner Of A Lonely Heart

Monólogo de Segismundo






















Sueña el rey que es rey, y vive
con este engaño mandando,
disponiendo y gobernando;
y este aplauso, que recibe
prestado, en el viento escribe,
y en cenizas le convierte
la muerte, ¡desdicha fuerte!
¿Que hay quien intente reinar,
viendo que ha de despertar
en el sueño de la muerte?

Sueña el rico en su riqueza,
que más cuidados le ofrece;
sueña el pobre que padece
su miseria y su pobreza;
sueña el que a medrar empieza,
sueña el que afana y pretende,
sueña el que agravia y ofende,
y en el mundo, en conclusión,
todos sueñan lo que son,
aunque ninguno lo entiende.

Yo sueño que estoy aquí
destas prisiones cargado,
y soñé que en otro estado
más lisonjero me vi.
¿Qué es la vida? Un frenesí.
¿Qué es la vida? Una ilusión,
una sombra, una ficción,
y el mayor bien es pequeño:
que toda la vida es sueño,
y los sueños, sueños son.

Pedro Calderón de la Barca
(1600-1681)

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Família Cunha


Brasão de Nuno Leitão da Cunha,
Capitão da caravela "Anunciada", na 1º. expedição ao Brasil.


Nobre e antiga família portuguesa, surge documentada já no séc. XIII.
O primeiro a entre nós usar o nome de Cunha foi D.Paio Guterres da Cunha, Cavaleiro oriundo da Gasconha.
Veio para o Condado Portucalense com seu Pai, D. Guterre, na companhia do Conde D. Henrique de Borgonha - pai do nosso primeiro Rei - a quem o Conde terá concedido Póvoa do Varzim, e outras terras em Guimarães, Braga e Barcelos.
D. Paio Guterres participou na defesa da Fortaleza de Leiria contra os mouros, e esteve na tomada de Lisboa onde quebrou com cunhas de ferro a porta da cidade, por ali entrando o Rei D. Afonso Henriques. Este Cavaleiro teria tal tática por hábito: segundo Sanches de Baena , a tradição relaciona D. Paio Guterres com Cunha-a-Velha, no termo de Guimarães, o que atribuiria ao seu apelido natureza toponímica; mas acrescenta que, de acordo com Jerónimo de Aponte, "D. Payo ganhou Torres Novas e que foi o primeiro que se chamou "Cunha", porque durante os cercos punha cunhas de ferro nas portas, para que os inimigos não pudessem sair; e por isso lhe deram por divisa nove cunhas azuis em campo de oiro" (cfr. Visconde Sanches de Baena, "Pombeiro da Beira".
Outra versão dá conta de que, aquando de um cerco dos Mouros a Lisboa, uma bandeira Portuguesa colocada na muralha do Castelo estava prestes a tombar, vergada sob a força do vento. Apercebendo-se do facto, os Mouros impediam que os Portugueses se lhe acercassem - pois obter o estandarte Português seria já uma vitória - e faziam cair uma verdadeira chuva de setas naquele lugar. D. Paio Guterres terá desafiado a morte para lograr segurar a dita bandeira com duas cunhas, ao que El-Rei D. Afonso Henriques, acompanhando a peripécia, terá exclamado: "A cunha, a cunha!". E desta voz real e das cunhas lhe terá ficado o apelido.

Armas:
De ouro, nove cunhas de azul, postas três, três e três. Timbre: grifo sainte de ouro.

Os Cunha que tiveram o Senhorio de Tábua tiveram origem no primogénito de D. Paio Guterres da Cunha, Fernão Pais da Cunha, 1º senhor de Tábua, e entroncado-se com os Albergaria, usaram Armas que são uma combinação das Armas das duas Famílias.
A chefia desta família encontra-se na Casa dos Condes da Cunha.

Armas dos Cunha, Senhores de Tábua: escudo esquartelado, sendo os primeiro e quarto de ouro, nove cunhas de azul postas três, três e três, e os segundos e terceiro de prata, uma cruz florenciada e vazia de vermelho; bordadura de prata, carregada de nove escudetes de azul, cada qual carregado de cinco besantes do campo postos em aspa.

James - Top Of The World