sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

A Espantosa Realidade Das Coisas (Take 2)

A espantosa realidade das cousas
É a minha descoberta de todos os dias.
Cada cousa é o que é,
E é difícil explicar a alguém quanto isso me alegra,
E quanto isso me basta.

Basta existir para se ser completo.

Tenho escrito bastantes poemas.
Hei de escrever muitos mais. naturalmente.

Cada poema meu diz isto,
E todos os meus poemas são diferentes,
Porque cada cousa que há é uma maneira de dizer isto.

Às vezes ponho-me a olhar para uma pedra.
Não me ponho a pensar se ela sente.
Não me perco a chamar-lhe minha irmã.
Mas gosto dela por ela ser uma pedra,
Gosto dela porque ela não sente nada.
Gosto dela porque ela não tem parentesco nenhum comigo.

Outras vezes oiço passar o vento,
E acho que só para ouvir passar o vento vale a pena ter nascido.

Eu não sei o que é que os outros pensarão lendo isto;
Mas acho que isto deve estar bem porque o penso sem estorvo,
Nem idéia de outras pessoas a ouvir-me pensar;
Porque o penso sem pensamentos
Porque o digo como as minhas palavras o dizem.

Uma vez chamaram-me poeta materialista,
E eu admirei-me, porque não julgava
Que se me pudesse chamar qualquer cousa.
Eu nem sequer sou poeta: vejo.
Se o que escrevo tem valor, não sou eu que o tenho:
O valor está ali, nos meus versos.
Tudo isso é absolutamente independente da minha vontade.


Alberto Caeiro

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

A Time To Be So Small - Interpol

We saw you from the ocean's side, from under the boat
We saw you making knots, we saw you get the rope
The boy's appearing on the deck and making it lurch
And the bubble of your interests ready to burst

He whistles and he runs

We saw you in distraction: a sleeping, slow despair
Rehearsing interaction, he wasn't even there
A creature is a creature, though you wish you were the wind
a boat will not stop moving if you tie him up until the end

He whistles and he runs so hold him fast
Breathe the burn, you want to let it last
He might succumb to what you haven't seen
He has a keen eye for what you used to be

When the cadaverous mob
Saves its doors for the dead men
You cannot leave

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

A Luz De Ontem


Procuro, não sei o que procuro. Procuro
um céu passado, a véspera extinta. Meu rosto
vai tão baixo, que antes nos céus ia posto!

Procuro, não sei o que procuro. Procuro
auroras idas, que jorravam, inflamadas
fontes — hoje com águas presas derrotadas.

Procuro, não sei o que procuro. Procuro
a grande hora que em mim restou sem figura
como em um cântaro morto um fim de abertura.

Procuro, não sei o que procuro. Sob estrelas de
[ ontem,
sob as que passaram, procuro
a luz apagada que ainda enalteço.
Lucian Blaga

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Brel - La Quête

"Eppur, Si Muove"


S'il Te Faut


Tu n'as rien compris

S'il te faut l'aurore pour croire au lendemain
Et des lendemains pour pouvoir espérer
Retrouver l'espoir qui t'a glissé des mains
Retrouver la main que ta main a quittée

Alors tu n'as rien compris

S'il te faut l'ennui pour te sembler profond
Et le bruit des villes pour saouler tes remords
Et puis des faiblesses pour te paraître bon
Et puis des colères pour te paraître fort

Alors tu n'as rien compris.
Jacques Brel

La Quête


Rêver un impossible rêve
Porter le chagrin des départs
Brûler, d'une possible fièvre
Partir, où personne ne part
Aimer jusqu'à la déchirure
Aimer, même trop, même mal
Tenter, sans force et sans armure
D'atteindre l'inaccessible étoile
Telle est ma quête
Suivre l'étoile
Peu m'importent mes chances
Peu m'importe le temps
Ou ma désespérance
Et puis lutter toujours
Sans questions ni repos
Se damner
Pour l'or d'un mot d'amour
Je ne sais si je serai ce héros
Mais mon coeur serait tranquille
Et les villes s'éclabousseraient de bleu
Parce qu'un malheureux
Brûle encore, bien qu'ayant tout brûlé
Brûle encore, même trop, même mal
Pour atteindre à s'en écarteler
Pour atteindre l'inaccesible étoile

Jacques Brel

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

And Now For Something Completely Different:


A Drunken Man's Praise Of Sobriety


COME swish around, my pretty punk,
And keep me dancing still
That I may stay a sober man
Although I drink my fill.

Sobriety is a jewel
That I do much adore;
And therefore keep me dancing
Though drunkards lie and snore.
O mind your feet, O mind your feet,
Keep dancing like a wave,
And under every dancer
A dead man in his grave.
No ups and downs, my pretty,
A mermaid, not a punk;
A drunkard is a dead man,
And all dead men are drunk.

William Butler Yeats

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

New Dawn Fades


A change of speed, a change of style,
A change of scene, with no regrets,
A chance to watch, admire the distance,
Still occupied, though you forget.
Different colours, different shades,
Over each mistakes were made.
I took the blame.
Directionless so plain to see,
A loaded gun wont set you free.
So you say.

We´ll share a drink and step outside,
An angry voice and one who cried,
We´ll give you everything and more,
The strains too much, can´t take much more.
Oh, I´ve walked on water, run through fire,
Can´t seem to feel it anymore.
It was me, waiting for me,
Hoping for something more,
Me, seeing me this time, hoping for something else.
*
"New Dawn Fades" - Joy Division

New Dawn Fades - Joy Division

Até Ao Lavar Dos Cestos...


terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Audacity


Morcheeba - Enjoy The Ride

Shut the gates at sunset
After that you can't get out
You can see the bigger picture
Find out what it’s all about
You're open to the skyline
You won't want to go back home
In a garden full of angels
You will never be alone
But oh the road is long
The stones that you are walking on
Have gone
With the moonlight to guide you
Feel the joy of being alive
The day that you stop running
Is the day that you arrive
And the night that you got locked in
Was the time to decide
Stop chasing shadows
Just enjoy the ride
If you close the door to your house
Don't let anybody in
It's a room that's full of nothing
All that underneath your skin
Face against the window
You can't watch it fade to grey
And you'll never catch the fickle wind
If you choose to stay
But oh the road is long
The stones that you are walking on
Have gone
With the moonlight to guide you
Feel the joy of being alive
The day that you stop running
Is the day that you arrive
And the night that you got locked in
Was the time to decide
Stop chasing shadows
Just enjoy the ride
...

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Cercava il Cuore

...guardava il Niente e ne vedeva il cuore,
cercava il Cuore e non vedeva niente...


Valerio Magrelli

Heartango

Y Pienso Que La Vida


Y pienso que la vida se me va con huida
inevitable y rápida, y me conturbo, y pienso
en mis horas lejanas, y me asalta un inmenso
afán de ser el de antes y desandar la vida.

¡Oh los pasos sin rumbo por la senda perdida,
los anhelos inútiles, el batallar intenso!
¿Cómo flotáis ahora, blancas nubes de incienso
quemado en los altares de una deidad mentida?

Páginas tersas, páginas de los libros, lecturas
de espejismos enfermos, de cuestiones oscuras…
¡Ay, lo que yo he leído! ¡Ay, lo que yo he soñado!…

Tristes noches de estéril meditación, quimera
que ofuscaste mi espíritu sin dejarme siquiera
mirar que iba la vida sonriendo a mi lado…

Enrique Gonzalez Martinez

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Everything Human


"Everything human is pathetic.
The secret source of humor itself is not joy but sorrow.
There is no humor in heaven."


Mark Twain

sábado, 16 de fevereiro de 2008

I wish I

could eat the salt off of your lost faded lips.

Interpol - Obstacle 1

Sinto Que o Mês Presente Me Assassina


Sinto que o mês presente me assassina,
As aves atuais nasceram mudas
E o tempo na verdade tem domínio
sobre homens nus ao sul das luas curvas.
Sinto que o mês presente me assassina,
Corro despido atrás de um cristo preso,
Cavalheiro gentil que me abomina
E atrai-me ao despudor da luz esquerda
Ao beco de agonia onde me espreita
A morte espacial que me ilumina.
Sinto que o mês presente me assassina
E o temporal ladrão rouba-me as fêmeas
De apóstolos marujos que me arrastam
Ao longo da corrente onde blasfemas
Gaivotas provam peixes de milagre.
Sinto que o mês presente me assassina,
Há luto nas rosáceas desta aurora,
Há sinos de ironia em cada hora
(Na libra escorpiões pesam-me a sina)
Há panos de imprimir a dura face
À força de suor, de sangue e chaga.
Sinto que o mês presente me assassina,
Os derradeiros astros nascem tortos
E o tempo na verdade tem domínio
Sobre o morto que enterra os próprios mortos.
O tempo na verdade tem domínio,
Amen, amen vos digo, tem domínio
E ri do que desfere verbos, dardos
De falso eterno que retornam para
Assassinar-nos num mês assassino.
Mário Faustino (1930-1962)

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

This Week´s Special:


The Dragonfly


You are made of almost nothing
But of enough
To be great eyes
And diaphanous double vans;
To be ceaseless movement,
Unending hunger
Grappling love.

Link between water and air,
Earth repels you.
Light touches you only to shift into iridescence
Upon your body and wings.

Twice-born, predator,
You split into the heat.
Swift beyond calculation or capture
You dart into the shadow
Which consumes you.

You rocket into the day.
But at last, when the wind flattens the grasses,
For you, the design and purpose stop.

And you fall
With the other husks of summer.

Louise Bogan (1897-1970)



I Wish I Was...


quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

I try to blurt it out but I can't find the words


.... and if there is a god, then he'll take me up...


These New Puritans - "Elvis"

These New Puritans - Elvis

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

A Psychological Tip


Whenever you're called on to make up your mind,
and you're hampered by not having any,
the best way to solve the dilemma, you'll find,
is simply by spinning a penny.

No - not so that chance shall decide the affair
while you're passively standing there moping;
but the moment the penny is up in the air,
you suddenly know what you're hoping
Piet Hein

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Hope

Se fatiga mi vida inútilmente hambrienta...


"Son más tristes los muelles cuando atraca la tarde.
Se fatiga mi vida inútilmente hambrienta.
Amo lo que no tengo."

Pablo Neruda - "Aquí Te Amo"

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Pedra Filosofal - Carlos do Carmo / A. Gedeão

Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.

Eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.

Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.

Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida,
que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.

Poetry X Prose


‘You Campaign in Poetry, But You Govern in Prose’

Hillary Rodham Clinton

Yes We Can

It was a creed written into the founding documents that declared the destiny of a nation.
Yes we can.
It was whispered by slaves and abolitionists as they blazed a trail toward freedom.
Yes we can. Yes we can.
It was sung by immigrants as they struck out from distant shores
and pioneers who pushed westward against an unforgiving wilderness.
Yes we can. Yes we can.
It was the call of workers who organized;
women who reached for the ballots;
a President who chose the moon as our new frontier;
and a King who took us to the mountain-top and pointed the way to the Promised Land.
Yes we can to justice and equality.
(yes we can, yes we can, yes we can, yes we can...)

Yes we can to opportunity and prosperity.
Yes we can to opportunity and prosperity.
Yes we can heal this nation.
Yes we can repair this world.
Yes we can. Si Se Puede
(yes we can, yes we can, yes we can, yes we can...)

We know the battle ahead will be long,
but always remember that no matter what obstacles stand in our way,
nothing can stand in the way of the power of millions of voices calling for change.
We want change!
(We want change! We want change! We want change...)

We have been told we cannot do this by a chorus of cynics who will only grow louder and more dissonant.
We've been asked to pause for a reality check.
We've been warned against offering the people of this nation false hope.
But in the unlikely story that is America, there has never been anything false about hope. We want change!
(We want change! I want change! We want change! I want change...)

The hopes of the little girl who goes to a crumbling school in Dillon are the same as the dreams of the boy who learns on the streets of LA;
we will remember that there is something happening in America;
that we are not as divided as our politics suggests;
that we are one people;
we are one nation;
and together, we will begin the next great chapter in America's story with three words that will ring from coast to coast;
from sea to shining sea - Yes. We. Can.
(yes we can, yes we can, yes we can, yes we can, yes we can, yes we can, yes we can, yes we can...)