sábado, 31 de maio de 2008

O Rei da Ítaca



A civilização em que estamos é tão errada que
Nela o pensamento se desligou da mão
.
Ulisses rei da Ítaca carpinteirou seu barco
E gabava-se também de saber conduzir
Num campo a direito o sulco do arado

Sophia de Mello Breyner Andresen

Lisboa

Esta névoa sobre a cidade, o rio,
as gaivotas doutros dias, barcos, gente
apressada ou com o tempo todo para perder,
esta névoa onde começa a luz de Lisboa,
rosa e limão sobre o Tejo, esta luz de água,
nada mais quero de degrau em degrau.

Eugénio de Andrade

domingo, 25 de maio de 2008

Lovely Day - Pixies



....they got one leaving today
and it's going

.................................... away
....................................................................got my feet in the stirrup

it can be kind of banal
.......................................................but i dream of your red dress

......................................riding

................................................down

............................................................these dry canals

Have a Lovely Day Miss B.!


sábado, 24 de maio de 2008

O Coração e a Alma

A brisa da manhã trouxe-nos uma mensagem:
Viste tu no caminho um coração pleno de fogo,
Viste tu este coração abraçado e cheio de paixão
Que incendeia cem rochedos de sua chama?
Jalaluddin Rumi

This Week´s Special:


sexta-feira, 23 de maio de 2008

A Manhã Raia. Não, a Manhã Não Raia.

"Morning Sun" - Edward Hopper, 1952.


A manhã raia. Não: a manhã não raia.
A manhã é uma coisa abstracta, está, não é uma coisa.
Começamos a ver o sol, a esta hora, aqui.
Se o sol matutino dando nas árvores é belo,
É tão belo se chamarmos à manhã «começarmos a ver o sol»
Como o é se lhe chamarmos manhã;
Por isso não há vantagem em pôr nomes errados às coisas,
Nem mesmo em lhe pôr nomes alguns.

Alberto Caeiro

Pearl Jam - Light Years

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa


Esta Ordem foi instituída pelo Rei D. João VI, em 6 de Fevereiro de 1818, no Rio de Janeiro. Pretendeu o Rei, Grão-Mestre desta nova Ordem Militar leiga, assinalar a sua subida ao trono e homenagear a padroeira nacional, agradecendo-lhe a resistência popular e militar que permitiu ao nosso País sobreviver às invasões napoleónicas.

Pelo alvará de 10 de Setembro de 1819, foi fixada a constituição da Ordem, que não deveria exceder 12 grã-cruzes, 40 comendadores, 100 cavaleiros e 60 serventes. No entanto, todos os membros da Família Real receberam a categoria de Grã-Cruzes, extra-numerários.

O Grau de Grão-Mestre seria exclusivo do Soberano. A Grã-Cruz seria de natureza honorária, e atribuída aos detentores de títulos; a Comenda seria conferida "aos que tiveram filhamento de fidalgo na Casa Real"; o grau de Cavaleiro seria concedido "aos nobres e empregados que serviam ao Rei ou merecerem sua real contemplação".

Até à sua extinção em Outubro de 1910, pelo Governo provisório da recém proclamada República, foram distinguidas com esta Ordem várias personalidades, essencialmente oriundas da nobreza e da aristocracia.

No entanto, quer o Rei D. Manuel II, no exílio, quer os Duques de Bragança, que lhe sucederam, continuaram a utilizar as insígnias desta Ordem, reabilitada em 1983 pelo Duque de Bragança. Desde então, e na sua nova veste de Ordem dinástica honorífica da família real portuguesa, têm vindo a ser distinguidas em Vila Viçosa várias personalidades, na festa de 8 de Dezembro.

Nesta data celebra-se a solenidade da Imaculada Conceição, Padroeira Principal de Portugal, e dá-se a peregrinação anual ao Santuário de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, que foi erigido cabeça desta Ordem por D. João VI.

A insígnia da Ordem, desenhada por Jean Baptiste Debret, em 1818, é constituída por um medalhão coroado, em forma de estrela, com um círculo central com a sigla "AM", e a inscrição "Padroeira do Reino".

Os correspondentes graus são, em ordem decrescente:Grão-Mestre, Grã-Cruz, Comendador, Cavaleiro e Servente.

Batalha do Alto do Viso


Esta acção militar ocorreu no dia 1 de Maio de 1847, em Setúbal, na freguesia de Nª. Senhora da Anunciada, no decurso da guerra civil denominada "Patuleia".

Opôs as forças fiéis à Rainha D. Maria II, comandadas pelo conde de Vinhais, aos contingentes da Junta Insureccional, à frente dos quais se encontrava o Visconde de Sá da Bandeira.
O Visconde, apesar de se ter manifestado favorável aos propósitos moderadores do Coronel Wylde, enviado inglês, que se avistou a 30 de Abril com ambas as partes em confronto, foi literalmente forçado a atacar as forças de Vinhais.

Tal contingência ficou a dever-se à insubordinação dos seus próprios oficiais, que, ansiosos por marchar contra as tropas da Rainha, e após violenta altercação, ameaçaram abertamente o seu próprio Comandante.

Às 6 da manhã de 1 de Maio, foi lançado o ataque, que redundou em carnificina, tendo os revoltosos sido repelidos e recolhido caoticamente a Setúbal, deixando no terreno cerca de 500 mortos.

terça-feira, 20 de maio de 2008

Goldfrapp - Lovely Head

Viagem


Aparelhei o barco da ilusão
E reforcei a fé de marinheiro.
Era longe o meu sonho, e traiçoeiro
O mar...

(Só nos é concedida
Esta vida
Que temos;
E é nela que é preciso
Procurar
O velho paraíso
Que perdemos).

Prestes, larguei a vela
E disse adeus ao cais, à paz tolhida.
Desmedida,
A revolta imensidão
Transforma dia a dia a embarcação
Numa errante e alada sepultura...
Mas corto as ondas sem desanimar.
Em qualquer aventura,
O que importa é partir, não é chegar.


Miguel Torga

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Are You Content?


I call on those that call me son,
Grandson, or great-grandson,
On uncles, aunts, great-uncles or great-aunts,
To judge what I have done.
Have I, that put it into words,
Spoilt what old loins have sent?
Eyes spiritualised by death can judge,
I cannot, but I am not content.
He that in Sligo at Drumcliff
Set up the old stone Cross,
That red-headed rector in County Down,
A good man on a horse,
Sandymount Corbets, that notable man
Old William Pollexfen,
The smuggler Middleton, Butlers far back,
Half legendary men.
Infirm and aged I might stay
In some good company,
I who have always hated work,
Smiling at the sea,
Or demonstrate in my own life
What Robert Browning meant
By an old hunter talking with Gods;
But I am not content.


William Butler Yeats

The Pixies - No. 13 Baby

domingo, 18 de maio de 2008

Canto Primeiro - Fundação da Ilha

II

A ilha ninguém achou
porque todos a sabíamos.
Mesmo nos olhos havia
uma clara geografia.

Mesmo nesse fim de mar
qualquer ilha se encontrava,
mesmo sem mar e sem fim
mesmo sem terra e sem mim

Mesmo sem naus e sem rumos,
mesmo sem vagas e areias,
há sempre um copo de mar
para um homem navegar........

Jorge de Lima in "Invenção de Orfeu"

sábado, 17 de maio de 2008

sexta-feira, 16 de maio de 2008

isn´t that weird...?


Fire And Ice


Some say the world will end in fire;
Some say in ice.
From what I've tasted of desire
I hold with those who favor fire.
But if it had to perish twice,
I think I know enough of hate
To know that for destruction ice
Is also great
And would suffice.

Robert Frost

Tchatchaaaaan.....!


quinta-feira, 15 de maio de 2008

Romance XXXI ou De Mais Tropeiros

Por aqui passava um homem
- e como o povo se ria! -
que reformava este mundo
de cima da montaria.

Tinha um machinho rosilho.
Tinha um machinho castanho.
Dizia: "Não se conhece
país tamanho!"

"Do Caeté a Vila Rica,
tudo ouro e cobre!
O que é nosso, vão levando..
E o povo aqui sempre pobre!"

Por aqui passava um homem
- e como o povo se ria! -
que não passava de Alferes
de cavalaria!

"Quando eu voltar - afirmava -
outro haverá que comande.
Tudo isto vai levar volta,
e eu serei grande!"

"Faremos a mesma coisa
que fez a América Inglesa!"
E bradava: "Há de ser nossa
tanta riqueza!"

Por aqui passava um homem
- e como o povo se ria! -
"Liberdade ainda que tarde"
nos prometia.

E cavalgava o machinho.
E a marcha era tão segura
que uns diziam: "Que coragem!"
E outros: "Que loucura!"

Lá se foi por esses montes
o homem de olhos espantados,
a derramar esperanças
por todos os lados.

Por aqui passava um homem...
- e como o povo se ria! -
Ele, na frente, falava,
e, atrás, a sorte corria...

Dizem que agora foi preso,
não se sabe onde.
(Por umas cartas entregues
ao Vice-Rei e ao Visconde.)

Pois parecia loucura,
mas era mesmo verdade.
Quem pode ser verdadeiro,
sem que desagrade?

Por aqui passava um homem...
- e como o povo se ria! -
No entanto, à sua passagem,
tudo era como alegria.

Mas ninguém mais se está rindo
pois talvez ainda aconteça
que ele por aqui não volte,
ou que volte sem cabeça...

(Pobre daquele que sonha
fazer bem - grande ousadia -
quando não passa de Alferes
de cavalaria!)

Por aqui passava um homem...
- e o povo todo se ria.


Cecília Meireles

Speaking of which... :


quarta-feira, 14 de maio de 2008

Bali Eyes - Porno for Pyros




...When I opened up my eyes first thing
Early light in Bali
What a day it's gonna be I think
It looks good already
So hold me close before
All the doors start knocking!
Is Bali in my eyes...

No meio do caminho


No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, 13 de maio de 2008

Poema II

do you know Maggie Taylor?
De amor nada mais resta que um Outubro
e quanto mais amada mais desisto:
quanto mais tu me despes mais me cubro
e quanto mais me escondo mais me avisto.

E sei que mais te enleio e te deslumbro
porque se mais me ofusco mais existo.
Por dentro me ilumino, sol oculto,
por fora te ajoelho, corpo místico.

Não me acordes. Estou morta na quermesse
dos teus beijos. Etérea, a minha espécie
nem teus zelos amantes a demovem.

Mas quanto mais em nuvem me desfaço
mais de terra e de fogo é o abraço
com que na carne queres reter-me jovem.



Natália Correia

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Two Things


"Two things are infinite: the universe and human stupidity;




and I'm not sure about the universe."


- Albert Einstein

And Now For Something Completely... Something...

domingo, 11 de maio de 2008

Gato

Que fazes por aqui, ó gato?
Que ambiguidade vens explorar?
Senhor de ti, avanças, cauto,
meio agastado e sempre a disfarçar
o que afinal não tens e eu te empresto,
ó gato, pesadelo lento e lesto,
fofo no pêlo, frio no olhar!

De que obscura força és a morada?
Qual o crime de que foste testemunha?
Que deus te deu a repentina unha
que rubrica esta mão, aquela cara?
Gato, cúmplice de um medo
ainda sem palavras, sem enredos,
quem somos nós, teus donos ou teus servos?

Alexandre O'Neill

Cão


Cão passageiro, cão estrito
Cão rasteiro cor de luva amarela,
Apara lápis, fraldiqueiro,
Cão liquefeito, cão estafado
Cão de gravata pendente,
Cão de orelhas engomadas,
de remexido rabo ausente,
Cão ululante, cão coruscante,
Cão magro, tétrico, maldito,
a desfazer-se num ganido,
a refazer-se num latido,
cão disparado: cão aqui,
cão ali, e sempre cão.
Cão marrado, preso a um fio de cheiro,
cão a esburgar o osso
essencial do dia a dia,
cão estouvado de alegria,
cão formal de poesia,
cão-soneto de ão-ão bem martelado,
cão moido de pancada
e condoído do dono,
cão: esfera do sono,
cão de pura invenção,
cão pré fabricado,
cão espelho, cão cinzeiro, cão botija,
cão de olhos que afligem,
cão problema...
Sai depressa, ó cão, deste poema!

Alexandre O'Neill

Operator Please - Leave It Alone

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Editors - Munich




I'm so glad I've found this
I'm so glad I did

quinta-feira, 8 de maio de 2008

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Bosch é Bom


"I cheated on my metaphysics exam.
I looked into the soul of the guy sitting next to me."


Woody Allen

terça-feira, 6 de maio de 2008

Because...


"Because I do not hope to turn again
Because I do not hope
Because I do not hope to turn..."
.
T. S. Eliot - "Ash Wednesday"

Porque o fim de um caminho...

Porque o fim de um caminho sempre me entregou
o limiar de outro caminho,
o verde de um campo ou de um corpo adolescente,
espero que regresse à minha voz
a luz que no primeiro dia a fecundou
e a terra que é contorno dessa luz.

Porque espero ver crescer minhas mãos dessa terra
e de minhas mãos a água necessária à minha sede,
ergo de mim a noite residual do que vivi
e canto,
canto provocando a madrugada.

Porque outros entoarão meu requiem e outros cerrarão
minhas pálpebras para defender meus olhos de suas lágrimas,
deixo essa glória aos outros
- e exalto o meu nascimento
e cada dia em que renasço e procuro
a boca ou o fruto onde se reflitam os meus lábios.

Porque, harmonizando-se no sangue o fogo e a água,
eu sou o fogo e a água:
por mim os cadáveres e quanto é feito da matéria dos cadáveres
libertar-se-ão em chamas, serão claridade
e chegarão a pão pela dádiva das cinzas,
a última dádiva, a total.

José Bento

segunda-feira, 5 de maio de 2008

domingo, 4 de maio de 2008

Tri V - A Vingança dos Sith

0-3

...o que é Nacional é bom...