quarta-feira, 5 de novembro de 2008

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Goodbye



May the road rise up to meet you, may the wind be ever at your back. May the sun shine warm upon your face and the rain fall softly on your fields.

And until we meet again, May God hold you in the hollow of his hand.


Irish blessing

The Smashing Pumpkins - The End Is the Beginning Is the End



Take Two

sábado, 27 de setembro de 2008

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Tudo o Que Sou Não é Mais Do Que Abismo


Tudo o que sou não é mais do que abismo
Em que uma vaga luz
Com que sei que sou eu, e nisto cismo,
Obscura me conduz.

Um intervalo entre não-ser e ser
Feito de eu ter lugar
Como o pó, que se vê o vento erguer,
Vive de ele o mostrar.


Fernando Pessoa

Supermassive Black Hole - Muse

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Exchange


"If you have an apple and I have an apple and we exchange these apples then you and I will still each have one apple. But if you have an idea and I have an idea and we exchange these ideas, then each of us will have two ideas."

George Bernard Shaw

Deftones - Change (In The House Of Flies)

Change


"Change alone is unchanging."


Heraclitus

terça-feira, 23 de setembro de 2008

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Múm - Green Grass Of Tunnel

Possibilities



I prefer movies.
I prefer cats.
I prefer the oaks along the Warta.
I prefer Dickens to Dostoyevsky.
I prefer myself liking people
to myself loving mankind.
I prefer keeping a needle and thread on hand, just in case.
I prefer the color green.
I prefer not to maintain
that reason is to blame for everything.
I prefer exceptions.
I prefer to leave early.
I prefer talking to doctors about something else.
I prefer the old fine-lined illustrations.
I prefer the absurdity of writing poems
to the absurdity of not writing poems.
I prefer, where love's concerned, nonspecific anniversaries
that can be celebrated every day.
I prefer moralists
who promise me nothing.
I prefer cunning kindness to the over-trustful kind.
I prefer the earth in civvies.
I prefer conquered to conquering countries.
I prefer having some reservations.
I prefer the hell of chaos to the hell of order.
I prefer Grimms' fairy tales to the newspapers' front pages.
I prefer leaves without flowers to flowers without leaves.
I prefer dogs with uncropped tails.
I prefer light eyes, since mine are dark.
I prefer desk drawers.
I prefer many things that I haven't mentioned here
to many things I've also left unsaid.
I prefer zeroes on the loose
to those lined up behind a cipher.
I prefer the time of insects to the time of stars.
I prefer to knock on wood.
I prefer not to ask how much longer and when.
I prefer keeping in mind even the possibility
that existence has its own reason for being.



Wislawa Szymborska

domingo, 21 de setembro de 2008

Sigur Rós - Svefn-G-Englar

Dúvida

Não há nada mais triste
do que um cão em guarda
ao cadáver de seu dono.

Eu não tenho cão.
Será que ainda estou vivo?


José Paulo Paes

sábado, 20 de setembro de 2008

Não Sei o Quê Desgosta


Não sei o quê desgosta
A minha alma doente.
Uma dor suposta
Dói-me realmente.

Como um barco absorto
Em se naufragar
À vista do porto
E num calmo mar,

Por meu ser me afundo,
Pra longe da vista
Durmo o incerto mundo.


Fernando Pessoa

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Pixies - Dead

David and Bathsheba

Jan Massys - 1562
you crazy babe bathsheba, i wancha
you're suffocating you need a good shed
i'm tired of living, shebe, so gimme
dead

we're apin' rapin' tapin' catharsis
you get torn down and get erected
my blood is working but my, my heart is
dead

hey
whaddyah know?
you're lovely
tan belly
is starting to grow

uriah hit the crapper, the crapper
uriah hit the crapper, the crapper
uriah hit the crapper, the crapper
dead

"Dead" - Pixies

domingo, 14 de setembro de 2008

Eu Servi o Rei De Inglaterra


Uma Voz Na Pedra


Não sei se respondo ou se pergunto.
Sou uma voz que nasceu na penumbra do vazio.

Estou um pouco ébria e estou crescendo numa pedra.
Não tenho a sabedoria do mel ou a do vinho.
De súbito, ergo-me como uma torre de sombra fulgurante.
A minha tristeza é a da sede e a da chama.
Com esta pequena centelha quero incendiar o silêncio.
O que eu amo não sei. Amo. Amo em total abandono.
Sinto a minha boca dentro das árvores e de uma oculta nascente.
Indecisa e ardente, algo ainda não é flor em mim.
Não estou perdida, estou entre o vento e o olvido.
Quero conhecer a minha nudez e ser o azul da presença.
Não sou a destruição cega nem a esperança impossível.
Sou alguém que espera ser aberto por uma palavra.

António Ramos Rosa

sábado, 13 de setembro de 2008

Ren & Stimpy - Happy, Happy, Joy, Joy

Retrato Para Ser Visto De Longe


Sou um ser, o outro é metade
que não sabe de onde veio.
Sou treva, sou claridade.
Solidão partida ao meio
e entre os dois a eternidade.

Sei quem sou, não me conheço.
Parado, estou sempre indo
para um país sem regresso.
Sou fonte e estou me esvaindo,
fluir sem fim nem começo.

Coração partido ao meio,
pulsando em cada metade.
O lirismo do espantalho
a espuma do devaneio.
Entre os dois a eternidade.


Francisco Carvalho

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Kings Of Convenience ----------------------------------- I Don't Know What I Can Save You From

Viceversa


Tengo miedo de verte
necesidad de verte
esperanza de verte
desazones de verte.
Tengo ganas de hallarte
preocupación de hallarte
certidumbre de hallarte
pobres dudas de hallarte.
Tengo urgencia de oírte
alegría de oírte
buena suerte de oírte
y temores de oírte.
o sea,
resumiendo
estoy jodido
y radiante
quizá más lo primero
que lo segundo
y también
viceversa.

Mario Benedetti

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Education


"Education is the ability to listen to almost anything without losing your temper."

Robert Frost

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Pixies - Velouria



hold my head
we'll trampoline
finally through the roof
on to somewhere near
and far in time
Velouria
her covering
travelling career
she can really move
oh velveteen!

my Velouria, my Velouria
even I'll adore ya
my Velouria

say to me
where have you been
finally through the roof
and how does lemur skin
reflect the sea?

we will wade in the shine of the ever
we will wade in the shine of the ever
we will wade in the tides of the summer
every summer
every summer
every
my Velouria
my Velouria

forevergreen
I know she's here
in California
I can see the tears
of Shasta sheen

my Velouria, my Velouria
even I'll adore ya
my Velouria

No Hay Tiempo Si En El Agua De Diamante


No hay tiempo si en el agua de diamante
que roza nuestros cuerpos
tú y yo nos sumergimos : el agua tuya con el agua mía
de tu boca , y apenas el hundir
de los secretos labios en el mar.
Sólo tu piel abierta
como la abierta noche de la noche
donde tus muslos amanecen.
Y el silencio en los olivos.

Miguel Arteche

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Quando Estou Só Reconheço


Quando estou só reconheço
Se por momentos me esqueço
Que existo entre outros que são
Como eu sós, salvo que estão
Alheados desde o começo.

E se sinto quanto estou
Verdadeiramente só,
Sinto-me livre mas triste.
Vou livre para onde vou,
Mas onde vou nada existe.

Creio contudo que a vida
Devidamente entendida
É toda assim, toda assim.
Por isso passo por mim
Como por cousa esquecida.

Fernando Pessoa

Repórter Estrábico - Malditos Headphones

domingo, 7 de setembro de 2008

Ladytron - Versus



Distance versus time,
cutting verses down to size.
Focus versus tears versus
"How did I get here's"
versus curses in your eyes

Force of nature versus range,
nature versus what is strange
"There's a fire starting here"
versus "There's nothing to fear"
versus lonely versus safe

Like a kitten versus rain
A cathedral versus love versus shame
Free versus hard to see
versus, versus, versus me versus me

Romance do Terceiro Oficial de Finanças


Ah! as coisas incríveis que eu te contava
assim misturadas com luas e estrelas
e a voz vagarosa como o andar da noite!

As coisas incríveis que eu te contava
e me deixavam hirto de surpresa
na solidão da vila quieta!...
Que eu vinha alta noite
como quem vem de longe
e sabe o segredo dos grandes silêncios
- os meus braços no jeito de pedir
e os meus olhos pedindo
o corpo que tu mal debruçavas da varanda!...

(As coisas incríveis eu só as contava
depois de as ouvir do teu corpo, da noite
e da estrela, por cima dos teus cabelos.
Aquela estrela que parecia de propósito para enfeitar os teus cabelos
quando eu ia namorar-te...)

Mas tudo isso, que era tudo para nós,
não era nada da vida!...
Da vida é isto que a vida faz.
Ah! sim, isto que a vida faz!...
- isto de tu seres a esposa séria e triste
de um terceiro oficial de finanças da Câmara Municipal!...
*
Manuel da Fonseca

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Oil And Blood


In tombs of gold and lapis lazuli
Bodies of holy men and women exude
Miraculous oil, odour of violet.

But under heavy loads of trampled clay
Lie bodies of the vampires full of blood;
Their shrouds are bloody and their lips are wet.

William Butler Yeats

Zeca Afonso - Vampiros

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Joy Division - Disorder

Dizia Uma Vez Aquilino...


Dizia uma vez Aquilino que em Portugal
os filósofos se exilavam ainda em seu país
(v.g. Spinoza). O curioso porém
é que também ninguém foi santo lá:
os nascidos em Portugal foram todos sê-lo noutra parte
(St. António, S. João de Deus, etc.)
e outros santos portugueses, se o foram,
terá sido, porque, estrangeiros que eram e em Portugal
vivendo, não tiveram outro remédio
(v.g. Rainha Santa) senão ser santos,
à falta de melhor. Oh país danado.
Porque os heróis também nunca tiveram melhor sorte
(Albuquerque e outros que o digam) a menos que
tivessem participado de revoluções feitas
"em vez de" (v.g. o Condestável que fez
fortuna e a casa de Bragança e acabou só Santo quase).


Jorge de Sena

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Le Bonheur Est Parti


Le bonheur est parti
on le demande ailleurs
mais la terre est trop petite pour un trop grand malheur
le bonheur en partant
a dit qu'il reviendrait.


Jacques Prévert

Popeye on Family Guy

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Já Não Me Importo


Já não me importo
Até com o que amo ou creio amar.
Sou um navio que chegou a um porto
E cujo movimento é ali estar.

Nada me resta
Do que quis ou achei.
Cheguei da festa
Como fui para lá ou ainda irei

Indiferente
A quem sou ou suponho que mal sou,

Fito a gente
Que me rodeia e sempre rodeou,

Com um olhar
Que, sem o poder ver,
Sei que é sem ar
De olhar a valer.

E só me não cansa
O que a brisa me traz
De súbita mudança
No que nada me faz.

Fernando Pessoa

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Controller.Controller - History



here's my new century
i'm erasing history
you need to make corrections
you need to pay attention

i'll say when

you're up for mass distraction
you're up for gut reaction

you raise your hand like i can't see
don't raise your hand like i can't see
you're in for mass distraction
you're in for gut reaction

i'll say when

you need to make corrections
you need to pay attention

let's rewrite your history
let's rewrite your history

i'll say when

let's rewrite your history.....

terça-feira, 29 de julho de 2008

Heroes Del Silencio - Con Nombre De Guerra

Eis-me




Eis-me
Tendo-me despido de todos os meus mantos
Tendo-me separado de adivinhos mágicos e deuses
Para ficar sozinha ante o silêncio
Ante o silêncio e o esplendor da tua face

Mas tu és de todos os ausentes o ausente
Nem o teu ombro me apoia nem a tua mão me toca
O meu coração desce as escadas do tempo em que não moras
E o teu encontro
São planícies e planícies de silêncio

Escura é a noite
Escura e transparente
Mas o teu rosto está para além do tempo opaco
E eu não habito os jardins do teu silêncio
Porque tu és de todos os ausentes o ausente


Sophia de Mello Breyner Andresen

domingo, 27 de julho de 2008

O Enterrado Vivo


É sempre no passado aquele orgasmo,
é sempre no presente aquele duplo,
é sempre no futuro aquele pânico.

É sempre no meu peito aquela garra.
É sempre no meu tédio aquele aceno.
É sempre no meu sono aquela guerra.

É sempre no meu trato o amplo distrato.
Sempre na minha firma a antiga fúria.
Sempre no mesmo engano outro retrato.

É sempre nos meus pulos o limite.
É sempre nos meus lábios a estampilha.
É sempre no meu não aquele trauma.

Sempre no meu amor a noite rompe.
Sempre dentro de mim meu inimigo.
E sempre no meu sempre a mesma ausência.

Carlos Drummond de Andrade

Adeus, Não Afastes Os Teus Olhos Dos Meus - David Fonseca

sábado, 26 de julho de 2008

Gorillaz - El Mañana

La Nuit


Caresse l'horizon de la nuit, cherche le coeur de jais que l'aube recouvre de chair. Il mettrait dans tes yeux des pensées innocentes, des flammes, des ailes et des verdures que le soleil n'inventa pas.
Ce n'est pas la nuit qui te manque, mais sa puissance.


Paul Éluard, in Capitale de la Douleur

sexta-feira, 25 de julho de 2008

The Fly


Little Fly,
Thy summer's play
My thoughtless hand
Has brushed away.

Am not I
A fly like thee?
Or art not thou
A man like me?

For I dance
And drink, and sing,
Till some blind hand
Shall brush my wing.

If thought is life
And strength and breath
And the want
Of thought is death;

Then am I
A happy fly,
If I live,
Or if I die.


William Blake

Jurgen Paape - So Weit Wie Noch Nie



Wir hören ein Singen im Raum
Singen im Raum
Singen im Raum
Wir jagen die Monotonie
Monotonie
Monotonie

Wir machen aus Stunden ein Jahr
und Mondschein aus unserem Haar
Wir fliegen so weit wie noch nie

domingo, 20 de julho de 2008

Joy Division - Isolation

Ao Desconcerto Do Mundo

Os bons vi sempre passar
No Mundo graves tormentos
E pera mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado.
Assim que, só pera mim,
Anda o Mundo concertado.


Luís Vaz de Camões

sábado, 19 de julho de 2008

Mike Oldfield - Woodhenge

Poema Em Linha Recta


Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.


E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cómico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um acto ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que tenho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

Álvaro de Campos

domingo, 13 de julho de 2008

Ryuichi Sakamoto - Rain

Les Larmes Du Ciel


Faut-il refuser le silence
pour mieux dompter la solitude ?
Les mots d'amour n'ont plus d'échos
Les goélands n'apportent plus de messages
Les nuages ont confisqué le soleil
Les larmes du ciel trouvent passage
sans choisir entre peine et bonheur
Tristes sont les jours d'attente et d'angoisse .


Jean Bouhier

sábado, 12 de julho de 2008

Heroes Del Silencio - Senda



He de encontrar
una senda que me lleve a un lugar
y no me siento capaz
de iniciar una
nueva vida sin mas
Quisiera emprender
la aventura que no me haga volver
dejar de una vez
lo que yo mismo no puedo entender

Por una vez
lo que siempre soñe
hacer
prometerme
construir una senda
si por una vez
lo que siempre soñe
hacer
prometerme
construir una senda
que pueda recorrer
Detras de un disfraz
tartamudo ante la adversidad
con un hilillo de voz
se va la poca razon
que nos permite tu escaso valor
Y he de cruzar
dar el paso hacia una vida anterior
si hay destellos de magia
entre los besos de la traicion

I Am The Escaped One


I am the escaped one,
After I was born
They locked me up inside me
But I left.

My soul seeks me,
Through hills and valley,
I hope my soul
Never finds me.

Fernando Pessoa

domingo, 6 de julho de 2008

De Cada Vez

Fotografia: Guilherme Ghizoni

Contínua realidade que me sorves os dias
como hei-de responder-te se vives incluída
dos meus olhos abertos nas ávidas e frias
pedras incertas vida

prisioneira do espelho que embacias
de cada vez que a turva suicida
torna ao morrer visíveis
as formas com que comes os meus dias


Gastão Cruz

Joy Division - Digital



Feel it closing in,
Feel it closing in,
The fear of whom I call,
Every time I call,
I feel it closing in,
I feel it closing in,
Day in, day out,
Day in, day out,
Day in, day out,
Day in, day out,
Day in, day out,
Day in, day out.

I feel it closing in,
As patterns seem to form.
I feel it cold and warm.
The shadows start to fall.
I feel it closing in,
I feel it closing in,
Day in, day out,
Day in, day out,
Day in, day out,
Day in, day out,
Day in, day out.

I'd have the world around,
To see just whatever happens,
Stood by the door alone,
And then it's fade away.
I see you fade away.
Don't ever fade away.
I need you here today.
Don't ever fade away.
Don't ever fade away.
Don't ever fade away.
Don't ever fade away.
Fade away. Fade away.
Fade away. Fade away.
Fade away. Fade away.
Fade away.

sábado, 5 de julho de 2008

La Jaula


Afuera hay sol.
No es más que un sol
pero los hombres lo miran
y después cantan.

Yo no sé del sol.
Yo sé la melodía del ángel
y el sermón caliente
del último viento.
Sé gritar hasta el alba
cuando la muerte se posa desnuda
en mi sombra.

Yo lloro debajo de mi nombre.
Yo agito pañuelos en la noche y barcos sedientos de realidad
bailan conmigo.
Yo oculto clavos
para escarnecer a mis sueños enfermos.

Afuera hay sol.
Yo me visto de cenizas.


Alejandra Pizarnik

The Smiths - What Difference Does It Make?

domingo, 29 de junho de 2008

Sting - When We Dance

An Attempt At Jealousy

Woman on a Balcony , 1824 - Carl Gustav Carus

How is it living with another?
Simple isn't it?
A stroke of the oar
And soon even the memory of me

Is left behind with the line of the shore,
A floating island(In the sky, not in the water)!
Spirits, spirits, they will be sisters,
Not lovers to you, ever!

How is your life with an ordinary woman?
Without the divine?
The sovereign is deposed
From her throne (stepped down).

How's your life? Busy?Huddled?
Waking up ... how?
Taxed by the undyingly trivial
How do you cope with it, poor man?

"Hysterics and interruptions--Enough!
I'll rent a place of my own."
How's life with your love,
My chosen one?

Is the food more to your taste? More delicious?
You're to blame if you sicken.
How's your life with a semblance,
You, who have walked on Sinai?

How's your life with a stranger,
In another place? Point blank: Are you in love?
Does not shame, like the reins of Zeus,
Lash your forehead? How is your life? Healthy?

Is it possible? Do you sing: how?
Plagued with an undying conscience,
How do you cope, poor man?
How's your life with the goods

Of the market place?
The rent— is it steep?
After Carrara marble
How is your life with the dust

Of plaster? (God was carved from
A block of stone-- and beaten into sand!)
How is it living with one of a hundred thousand women--
You, who have known Lilith?

Are you sated with the novelty of
The market? Grown cold to magic,
How is it living with an earthly
Woman, one without a sixth Sense?

Are you happy now, in your mind?
No? In a failure without end
How is your life, dear? As difficult
As mine with another man?

Marina Tsvetaeva - 19/11/24

sábado, 28 de junho de 2008

The Offspring - Kick Him When He's Down



Live - Rockpalast 1997

Durmo Ou Não?


Durmo ou não? Passam juntas em minha alma
Coisas da alma e da vida em confusão,
Nesta mistura atribulada e calma
Em que não sei se durmo ou não

Sou dois seres e duas consciências
Como dois homens indo braço-dado
Sonolento revolvo omnisciências,
Turbulentamente estagnado.

Mas, lento, vago, emerjo de meu dois.
Desperto. Enfim: sou um, na realidade.
Espreguiço-me. Estou bem… Porquê depois,
De quê, esta vaga saudade?

Fernando Pessoa

domingo, 22 de junho de 2008

Permanência



Não peçam aos poetas um caminho. O poeta

não sabe nada de geografia

celestial. Anda

aos encontrões da realidade

sem acertar o tempo com o espaço.

Os relógios e as fronteiras não têm

tradução na sua língua. Falta-lhes

o amor da convenção em que nas outras

as palavras fingem de certezas.

O poeta lê apenas os sinais

da terra. Seus passos cobrem

apenas distancias de amor e

de presença. Sabe

apenas inúteis palavras de consolo

e mágoa pelo inútil. Conhece

apenas do tempo o já perdido; do amor

a câmara-escura sem revelações; do espaço

o silêncio de um vôo pairando

em toda a parte.



Cego entre as veredas obscuras é ninguém e

nada sabe

— morto redivivo.


Adolfo Casais Monteiro

sábado, 21 de junho de 2008

Enya - Exile

Exílio





Quando a pátria que temos não a temos

Perdida por silêncio e por renúncia

Até a voz do mar se torna exílio

E a luz que nos rodeia é como grades


Sophia de Mello Breyner Andresen

domingo, 15 de junho de 2008

Interpol - Take You On a Cruise

(Dream)

Qualquer coisa de obscuro permanece
No centro do meu ser. Se me conheço,
É até onde, por fim mal, tropeço
No que de mim em mim de si se esquece.

Aranha absurda que uma teia tece
Feita de solidão e de começo
Fruste, meu ser anónimo confesso
Próprio e em mim mesmo a externa treva desce.

Mas, vinda dos vestígios da distância
Ninguém trouxe ao meu pálio por ter gente
Sob ele, um rasgo de saudade ou ânsia.

Remiu-se o pecador impenitente
À sombra e cisma. Teve a eterna infância,
Em que comigo forma um mesmo ente.
Fernando Pessoa

sábado, 14 de junho de 2008

Amalia Rodrigues - Com Que Voz



(arrepia sim senhora, Mafaldinha! :) )

Perdigão Perdeu a Pena

Perdigão perdeu a pena
Não há mal que lhe não venha.

Perdigão que o pensamento
Subiu a um alto lugar,
Perde a pena do voar,
Ganha a pena do tormento.
Não tem no ar nem no vento
Asas com que se sustenha:
Não há mal que lhe não venha.

Quis voar a uma alta torre,
Mas achou-se desasado;
E, vendo-se depenado,
De puro penado morre.
Se a queixumes se socorre,
Lança no fogo mais lenha:
Não há mal que lhe não venha.

Luís Vaz de Camões

domingo, 8 de junho de 2008

A Máscara

Esta luz animada e desprendida

Duma longínqua estrela misteriosa

Que, vindo reflectir-se em nosso rosto,

Acende nele estranha claridade;

Esta lâmpada oculta, em nossa máscara

Tornada transparente e radiante

De alegria, de dor ou desespero

E de outros sentimentos emanados

Do coração dum anjo ou dum demónio;

Este retrato ideal e verdadeiro,

Composto de alma e corpo e de que somos

A trágica moldura, errando à sorte,

E ela, é ela, a nossa aparição,

Feita de estrelas, sombras, ventanias

E séculos sem fim, surgindo, enfim,

Cá fora, sobre a Terra, à luz do Sol.


Teixeira de Pascoaes

We Wear the Mask


We wear the mask that grins and lies,
It hides our cheeks and shades our eyes—
This debt we pay to human guile;
With torn and bleeding hearts we smile,
And mouth with myriad subtleties.

Why should the world be over-wise,
In counting all our tears and sighs?
Nay, let them only see us, while
We wear the mask.

We smile, but, O great Christ, our cries
To thee from tortured souls arise.
We sing, but oh the clay is vile
Beneath our feet, and long the mile;
But let the world dream otherwise,
We wear the mask!


Paul Laurence Dunbar

sábado, 7 de junho de 2008

Yes We Can!

Quem muito viu...

Quem muito viu, sofreu, passou trabalhos,
mágoas, humilhações, tristes surpresas;
e foi traído, e foi roubado, e foi
privado em extremo da justiça justa;

e andou terras e gentes, conheceu
os mundos e submundos; e viveu
dentro de si o amor de ter criado;
quem tudo leu e amou, quem tudo foi -

não sabe nada, nem triunfar lhe cabe
em sorte como a todos os que vivem.
Apenas não viver lhe dava tudo.

Inquieto e franco, altivo e carinhoso,
será sempre sem pátria. E a própria morte,
quando o buscar, há-de encontrá-lo morto.

Jorge de Sena

Johnny Cash - God's Gonna Cut You Down

domingo, 1 de junho de 2008

Mudam-se Os Tempos, Mudam-se As Vontades


Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.


Luís Vaz de Camões

sábado, 31 de maio de 2008

O Rei da Ítaca



A civilização em que estamos é tão errada que
Nela o pensamento se desligou da mão
.
Ulisses rei da Ítaca carpinteirou seu barco
E gabava-se também de saber conduzir
Num campo a direito o sulco do arado

Sophia de Mello Breyner Andresen

Lisboa

Esta névoa sobre a cidade, o rio,
as gaivotas doutros dias, barcos, gente
apressada ou com o tempo todo para perder,
esta névoa onde começa a luz de Lisboa,
rosa e limão sobre o Tejo, esta luz de água,
nada mais quero de degrau em degrau.

Eugénio de Andrade