domingo, 22 de junho de 2008

Permanência



Não peçam aos poetas um caminho. O poeta

não sabe nada de geografia

celestial. Anda

aos encontrões da realidade

sem acertar o tempo com o espaço.

Os relógios e as fronteiras não têm

tradução na sua língua. Falta-lhes

o amor da convenção em que nas outras

as palavras fingem de certezas.

O poeta lê apenas os sinais

da terra. Seus passos cobrem

apenas distancias de amor e

de presença. Sabe

apenas inúteis palavras de consolo

e mágoa pelo inútil. Conhece

apenas do tempo o já perdido; do amor

a câmara-escura sem revelações; do espaço

o silêncio de um vôo pairando

em toda a parte.



Cego entre as veredas obscuras é ninguém e

nada sabe

— morto redivivo.


Adolfo Casais Monteiro

2 comentários:

Ana disse...

Absolutamente encantador!!
Aqui, descobri Adolfo Casais Monteiro.

scorpia disse...

Bem amigo, na mouche! :s Esse poeta de que falas dá consultas onde?

Beijinho laranjinha e vê se nos consolas mais com os teus escritos...isto anda mal...

;))

PS: e voooooolta...essa mouraria não é digna da tua presença!!!