domingo, 9 de dezembro de 2007

Pastor


Na noite do Sertão,
a vastidão das ondas do vento
essas plagas sempre foram mar
invade e inunda o que há,
com fúria maior que a das águas.

A voz das ondas do vento,
com seus passos sem rastros,
deixa marcas indeléveis
e açoita as dores
esses cavalos xucros
que disparam no íntimo do vivente
como numa Tróia às avessas.

E quando as chamas começam a afogar,
os olhos estendem-se aos céus,
mira-se a lavoura necessária:
uma roça de estrelas.

Aqueles olhos se ovelham
e o sono é sereno.

José Inácio Vieira de Melo

1 comentário:

Ana disse...

"Quando a noite chega o maravilhoso não escurece."

Gonçalo M. Tavares