domingo, 13 de setembro de 2009

Pornografia


Quando penso no tema, custa-me compreender porque será tão desprezado aquele que é, afinal, o género cinematográfico por excelência: a pornografia.
Não há qualquer outro género que resista a comparações.
Aqui, não há duplos, nem para as cenas mais perigosas - p. ex., que põem em risco a coluna, a zona dos rins, ou mesmo a bacia e várias articulações.
Aqui, em vez do tradicional aviso "não tentem fazer isto em casa", adivinha-se nos sorrisinhos dos artistas um "tentem lá... se forem capazes...".
O que não só revela uma altruísta atitude pedagógica, mas poderá ter incomensuráveis benefícios para a saúde: não sou eu quem o diz, mas antes, cientistas de nomeada, como podem comprovar neste link: Pela sua saúde

Face a isto, que dizer de um ou uma profissional que cumpre o seu papel - está bem que uns serão mais cumpridos, e outros menos, mas "é a vida" - e falo, perdão, fá-lo não só com dedicação, mas com outros atributos que se não exigem aos actores ditos "mainstream", a saber, elasticidade e cadência, para citar apenas os mais evidentes?

Estes actores e actrizes dão de facto o corpo ao manifesto, e têm que ganhar a vida com o suor, não só do rosto, mas do corpinho todo, mesmo das suas partes mais recônditas e por vezes insuspeitas. E não só com suor, mas também com outros líquidos, o que com toda a certeza potencia os riscos de desidratação.

Qual bungee-jumping, qual queda livre...

É da mais elementar justiça chamar a atenção para esta profissão que, mais do que a de atleta de alta competição, é de desgaste ultra-rápido: é a esta rapaziada que se aplica o dito popular "estes é que a levam direita". Porque senão, desemprego.

Por outro lado, é inevitável constatar a superioridade do filme pornográfico sobre qualquer outro tipo de filme: pode ser enquadrado em qualquer sub-género - histórico, sci-fi, western, ou mesmo de artes marciais (vulgo, de "kung fu", o que aliás permite reorganizar livremente vogais e consoantes) - e, ao contrário das fitas tradicionais, tem, não um, ou mesmo dois, mas antes, uma miríade de finais felizes: saem todos satisfeitos, mesmo os maus e as más da fita.
E mesmo estes, para poderem participar, têm que ser bem bons e bem boas: ninguém quer ver gente feia, malfeitinha e gorda tal como veio ao Mundo - o que nos leva a outro item, a saber, a poupança no guarda-roupa.
Só vantagens.

Finalmente, chamo também a atenção para o facto de não existir tipo de filme mais democrático: pode-se entrar (?) a meio que não se perde o fio à meada pois os, digamos, diálogos, são acessíveis a todos os escalões culturais: "boa tarde vizinha, acabou-se-me o açucar, tem?" "claro que sim, não se vê?" (tunga!) ou ""boa tarde vizinha, acabou-se-me o açucar, tem?"(tunga!) ou ""boa tarde vizinha" (tunga) ou ainda, o clássico: (tunga!)
Não são precisas legendas, nem é necessário saber idiomas estrangeiros: é perfeitamente possível compreender a intrincada trama de um "porno" filmado na Mongólia com actores locais, na versão original.

Será porventura mais difícil de perceber se for "Made In Portugal".

4 comentários:

Mafaldinha disse...

(troca de galhardetes! lol)

Que inspirados que nós estamos, hein? ahahah!

E que tal uma balada à altura de um filme deste tipo?
Por que a pornografia deve ser também "a coisa preferida" de muita gente!

http://www.youtube.com/watch?v=yNeJG1PBAfM

=)

No Vember disse...

looooooooooooooooooooooooooooooool

afinal é tão simples a receita para ser feliz!!!
basta o brilho das gotas de orvalho, ou mesmo algo antes de adormecer... tipo um cházinho de camomila, e assim...

adequadíssimo!!!!!!!!!!!!!

scorpia disse...

Ena! Devo confessar que esta é provavelmente a crónica mais "limpinha" acerca do tema! Dito assim, até soa (ou sua?) bem (ou será vem?)!
Aproveito para te deixar com mais uma inconformidade: porno-grafia...qual a origem etimológica do palavrão? "Escrita"-porno? A palavra dos nossos amigos ingleses (porn) ainda entendo...algures na História, surgiu alguma personagem que trocava os b pelos p e rebaptizou o termo original (born, pq claro está e como referiste, não é preciso cachet para grandes indumentárias e por isso as pessoas surgem tal e qual como quando nascem, ou são "born"...

Desculpa qq coisinha laranjinha, mas com a in sónia dá-me para isto...;)

Ana disse...

Estou de boca aberta...

com complexidade da coisa!!

Nada fácil.

Verdadeiramente hilariante!!!!!