terça-feira, 3 de julho de 2007

Ilha


Deitada és uma ilha e raramente
surgem ilhas no mar tão alongadas
com tão prometedoras enseadas
um só bosque no meio florescente
*
promontórios a pique e de repente
na luz de duas gémeas madrugadas
o fulgor das colinas acordadas
o pasmo da planície adolescente
*
Deitada és uma ilha que percorro
descobrindo-lhe as zonas mais sombrias
Mas nem sabes se grito por socorro
*
ou se te mostro só que me inebrias
Amiga amor amante amada eu morro
da vida que me dás todos os dias.
*
David Mourão-Ferreira

1 comentário:

Ana disse...

Assim não vale!! Tinha reservado este poema para comentar um eventual post sobre ilhas.
É LINDÍSSIMO!!!