terça-feira, 18 de setembro de 2007

A Espantosa Realidade Das Coisas


A espantosa realidade das coisas
É a minha descoberta de todos os dias.
Cada coisa é o que é,
E é difícil explicar a alguém quanto isso me alegra,
E quanto isso me basta.

Basta existir para se ser completo.

Tenho escrito bastantes poemas.
Hei-de escrever muitos mais, naturalmente.

Cada poema meu diz isto,
E todos os meus poemas são diferentes,
Porque cada coisa que há é uma maneira de dizer isto.

Às vezes ponho-me a olhar para uma pedra.
Não me ponho a pensar se ela sente.
Não me perco a chamar-lhe minha irmã.
Mas gosto dela por ela ser uma pedra,
Gosto dela porque ela não sente nada.
Gosto dela porque ela não tem parentesco nenhum comigo.

Outras vezes oiço passar o vento,
E acho que só para ouvir passar o vento vale a pena ter nascido.

Eu não sei o que é que os outros pensarão lendo isto;
Mas acho que isto deve estar bem porque o penso sem estorvo,
Nem idéia de outras pessoas a ouvir-me pensar;
Porque o penso sem pensamentos
Porque o digo como as minhas palavras o dizem.

Uma vez chamaram-me poeta materialista,
E eu admirei-me, porque não julgava
Que se me pudesse chamar qualquer coisa.
Eu nem sequer sou poeta: vejo.
Se o que escrevo tem valor, não sou eu que o tenho:
O valor está ali, nos meus versos.
Tudo isso é absolutamente independente da minha vontade.

Alberto Caeiro

2 comentários:

scorpia disse...

Eu digo o que penso deste poeta "materialista":
- em primeiro lugar: cá está mais uma reminiscência da Floribela. Vejamos: o Alberto (posso tratá-lo assim, se bem que é um nome um bocado aaargh?)quer chamar irmã à pedra?? Quando tal fala com as árvores como se fossem a mãe! Lembras-te daquele episódio da Floriseca com a perna peluda do Ricardo Araújo Pereira? Pois bem, os meus pesadelos ganharam outra dimensão a partir daí...Ai Alberto, Alberto...).
- em segundo lugar, quero deixar aqui registado que o artista é um bom artista, não havia necessidade...
E tu Caeiro? Que pensas de mim?
;PPPPP

Looooooool
Bjinhos e keep on the good choices ó orange one!
PS: prepara as cuzes para amanhã!

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PS 2: em cima está o rastilho...este comment auto-destruir-se-á em
5
4
3
2
1
PUUUUUMM

IHIHIHIHIHIH
Estou mesmo estúpida hoje....
Há dias assim...

Nada se perde disse...

coisas e mais coisas..enfim..cada uma ve as pedras do caminho como entende!
há wquem as guarde no bolso-diz o Pessoa..este (Alberto), apenas quer olhar para elas..

eu cá, apenas tento deixa-las sossegaditas..agora que á calhaus em forma de gente, isso sim há..e a essas --dispenso!!

lol..
isto hoje ta mau :P
bj